DOENÇA VASCULAR PERIFÉRICA

UFC
COMO MANEJAR NA ATENÇÃO DOMICILIAR?

O manejo das doenças vasculares periféricas é muito específico para cada tipo. Conheça a seguir:

Seja sintomático ou assintomático, é indicado tratamento cirúrgico. Algumas poucas condições justificam tratamento conservador (KAUFFMAN et al., 2006):
  • saúde precária do doente;
  • expectativa de vida muito limitada;
  • leito arterial muito comprometido;
  • aneurisma trombosado com compensação circulatória.
Têm indicação cirúrgica todos os sintomáticos e com mais de 2,5cm de diâmetro.
O tratamento depende das manifestações clínicas. Veja a seguir as opções de tratamento da claudicação intermitente (KAUFFMAN et al., 2006):

a) Tratamento clínico: tem como objetivo melhorar a marcha, devolvendo ao paciente um nível satisfatório de desempenho social e profissional. O uso de agentes hemorreológicos diminui a viscosidade sanguínea. O medicamento mais usado é a Pentoxifilina, 400mg.


b) Tratamento cirúrgico: deve ser a escolha quando se quer garantir o retorno mais próximo possível ao trabalho. Em paciente com isquemia grave, o tratamento cirúrgico é mandatório, com o objetivo do salvamento do membro. Recomenda-se o repouso absoluto em ambiente aquecido e discreto proclive da cama, para melhorar a perfusão tecidual distal. As úlceras devem ser tratadas por meio de curativos oclusivos umedecidos com soro fisiológico.

Para a estabilização da doença, deve-se primeiramente parar de fumar. Pacientes que não param de fumar podem chegar a ter necessidade de amputação do membro acometido. O tratamento da dor isquêmica de repouso usa analgésicos potentes associados a antidepressivos e ansiolíticos. É necessário ainda:
  • orientar os familiares/cuidadores e o próprio paciente a evitar dormir com o membro inferior pendente;
  • quando a dor for incontrolável, indicar a neurotripsia;
  • quando houver infecção, tratá-la. Quando há flebite superficial, podem ser utilizados anti-inflamatórios não- hormonais.

A revascularização cirúrgica só deve ser indicada para pacientes que deixaram de fumar e que apresentem leito arterial favorável.
As primeiras medidas a serem adotadas são:
  • repouso no leito em proclive (ou Trendelemburg reverso);
  • envolver o membro acometido com algodão e faixa tipo crepe ou proteger com meia de lã.


Trendelemburg reverso ou proclive

Fonte: (UNA-SUS UFPE, 2014).

  • não se deve aquecer o membro com bolsa de água quente devido ao risco de queimadura;
  • a heparinização sistêmica deve ser iniciada imediatamente após o diagnóstico clínico. Pode ser usado também vasodilatador, porém sempre verificando a pressão arterial e a frequência cardíaca, devendo ser suspensa em caso de queda da pressão arterial ou piora do quadro clínico. Ainda em ambiente hospitalar, pode ser usado fibrinolítico em infusão contínua intra-arterial com o cateter posicionado junto ao trombo ou êmbolo;
  • tratamento cirúrgico é indicado nos casos de isquemia com ameaça à vitalidade dos tecidos;
  • anticoagulação por três meses é indicada no pós-operatório como recomendação geral. A amputação é indicada quando há gangrena.
As que têm indicação cirúrgica devem ser logo operadas, pois os resultados funcionais e estéticos da cirurgia são melhores. A presença de infecções, celulites, eczema ou úlcera contraindicam, temporariamente, a cirurgia. Tal procedimento tem contraindicação definitiva em pacientes com idade avançada, presença de alterações tróficas cutâneas secundárias extensas.
Na fase aguda, em ambiente hospitalar ou Unidade Pronto Atendimento (UPA), o paciente deve ser mantido em repouso, em posição de Trendelenburg (posição em decúbito dorsal, inclinada cerca de 45° graus, com a cabeça em posição mais baixa que os pés. Assim que diminuir o edema e a dor, deve ser usada meia compressiva e estimular a deambulação. Já com a confirmação do diagnóstico de TVP e iniciado o tratamento, é importante solicitar a captação do paciente pela EMAD para tratamento domiciliar e para ajuste do anticoagulante oral com análise frequente do INR no domicílio.

Posição de Trendelemburg

Posição de Trendelemburg

Fonte: (UNA-SUS UFPE, 2014).

A anticoagulação é a base do tratamento da trombose venosa periférica. Inicia-se com a heparina venosa ou subcutânea, contraindicada de forma absoluta na presença de sangramento ativo, trauma recente em sistema nervoso central ou acidente vascular hemorrágico e coagulopatia grave. Inicia-se o uso do anticoagulante oral concomitantemente, com o objetivo de, após 3 a 5 dias, conseguir a anticoagulação (INR entre 2,0 e 4,0). Na fase de manutenção, o INR pode ficar entre 2,0 e 3,0.

A heparina de baixo peso molecular é usada por via subcutânea, a dose é peso dependente e não se faz monitorização laboratorial.

A remoção precoce do coágulo é realizada por meio de trombectomia cirúrgica ou fibrinólise farmacológica.


Saiba mais

Relação Internacional Normalizada (INR): o INR (ou NRI em inglês) é um método de padronização, que tenta minimizar as diferenças entre os reagentes de tromboplastina. Os indivíduos podem reagir de forma diferente aos anticoagulantes orais e, para tanto, devem ser realizadas as medições periódicas e frequentes por meio de um exame de sangue padronizado para medir a atividade de coagulação do sangue, denominado Relação Internacional Normalizada (INR), ajustando-se sua dose de anticoagulante oral a uma "faixa terapêutica" individual adequada.

Quanto menor o valor do INR, mais rapidamente o sangue coagula. Quanto maior for seu INR, tanto maior será o tempo para sangue coagular, colocando o paciente sob risco devido a problemas de sangramento. Com o aumento da vitamina K, seu nível de INR pode cair. Por outro lado, uma diminuição na ingestão de vitamina K pode aumentar o INR.
Ainda não existe tratamento ideal, mas algumas medidas conseguem diminuir o edema. Porém, a Terapia Física Complexa (TFC) faz parte do tratamento conservador e envolve supervisão contínua, principalmente por um médico e um fisioterapeuta em centro adequado, com disponibilidade de materiais para compressão do membro.

A TFC é composta por:

  • drenagem linfática manual;
  • cuidados da pele;
  • compressão, ou seja, o uso de enfaixamento compressivo (elástico ou inelástico);
  • exercícios miolinfocinéticos.


Representação da terapia compressiva e drenagem linfática


Terapia compressivaDrenagem linfática

Fonte: (UNA-SUS UFPE, 2014).


Manejo das complicações

É importante ficar sempre muito atento às principais complicações que podem surgir nos pacientes portadores de varizes de membros inferiores e portadores de sequelas de trombose venosa profunda. São elas (KAUFFMAN et al., 2006):


O tratamento do edema se apoia em medidas que visam diminuir a pressão hidrostática no território capilar. O repouso em posição de Trendelenburg é eficiente para o alívio da hipertensão venosa superficial, devendo ser realizado por vários períodos durante o dia, intercalado com as atividades diárias. A pessoa deve ser estimulada a andar muito, não permanecer sentada ou em pé, parada. Usar meia ou enfaixamento elástico constantemente durante o dia, desde o primeiro momento que inicie a deambulação. Deve-se manter em perfeitas condições de higiene os membros inferiores, lavando-os diariamente com sabão antisséptico, evitando traumas e tratando e prevenindo micoses interdigitais.
O tratamento local se faz com banhos e compressas úmidas de soluções antissépticas, como o permanganato de potássio.
São usadas soluções antissépticas, como o permanganato de potássio (na fase aguda ou secretante) e pomadas de corticosteroides no eczema seco. Para ambas as formas, podem ser prescritos, via sistêmica, anti-histamínicos e corticosteroides.


Áreas mais comuns do aparecimento de eczemas em adultos

Áreas mais comuns do aparecimento de eczemas em adultos

Fonte: (UNA-SUS UFPE, 2014).

Quando são segmentares e pouco extensas, o tratamento é ambulatorial. As flebites superficiais muito extensas são tratadas com anticoagulantes.
As lesões tróficas (fibroses e pigmentação) são definitivas e irreversíveis. É a complicação mais marcante das varizes, e a principal complicação da úlcera é a infecção. Clinicamente, a dor, secreção e inflamação das bordas caracterizam o processo infeccioso. Na presença de infecção, prefere-se antibiótico venoso. A maioria das úlceras tem a lesão fechada em 30 dias, embora algumas podem persistir por mais de ano. O mais conhecido e clássico dos curativos é a bota de Unna, que, além de atuar na lesão, reduz a estase venosa crônica.

Representação da funcionalidade do curativo bota de Unna

Bota Unna Bota Unna Bota unna


1 - Circulação sanguínea normal
2 - Membro com retorno venoso comprometido
3 - Reestabelecimento da circulação sanguínea normal com uso do curativo Bota de Unna


Fonte: (UNA-SUS UFPE, 2014).






Atenção

A posição de Trendelemburg é adequada apenas para doença periférica de origem venosa. Em caso de doença arterial periférica, os pacientes devem ser orientados a colocar o membro em posição pendente fora do leito, onde a força da gravidade ajuda a chegada de sangue aos tecidos mais distais.


Para profissionais enfermeiros


Principais intervenções de enfermagem

Ao avaliar um paciente no domicílio, com suspeita ou quadro de doença vascular periférica instalado, o enfermeiro deve estar apto a seguir as seguintes intervenções (NANDA INTERNATIONAL, 2013; DOENGES, MOORHOUSE, MURR, 2009; CARPENITO-MOYET, 2005; JOHNSON, MAAS, MOORHEAD, 2004):

  • Investigar as características definidoras, como:

    • dor associada a alguns fatores como localização, tempo, frequência, intensidade, fatores agravantes e/ou fatores aliviantes;

  • Promover fatores que melhoram o fluxo de sangue arterial:

    • manter as extremidades em posição pendente ou abaixo da linha do coração;

    • aquecer as extremidades com meias e cobertores, evitando bolsas de água quente devido à perda de sensibilidade local;

    • reduzir os pontos externos de pressão, como sapatos apertados;

    • trocar de posição de hora em hora;

  • Promover fatores que melhoram o fluxo de sangue venoso:

    • manter a extremidade elevada (caso não haja contraindicações, como doenças cardíacas ou respiratórias graves);

    • considerar o uso de meias elásticas de compressão para evitar estase venosa;

    • promover ou orientar a troca de posição, movimentar as articulações periféricas de hora em hora;

    • evitar cruzar as pernas ou dormir com travesseiro embaixo dos joelhos.