COMO DIAGNOSTICAR E AVALIAR?
O diagnóstico de dependência de álcool e de outras drogas não é dado com a mesma precisão como ocorre em relação a outras doenças. O diagnóstico muito frequentemente é tardio, pois o paciente já se encontra como usuário crítico, e isso seguramente piora o prognóstico sobre a dependência e o dependente químico (SILVA; LARANJEIRA, 2006).
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Saiba mais sobre o grupo F10-F19 do CID-10: transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substâncias psicoativa. Clique aqui.Quanto maior o tempo de uso de álcool e drogas, maior a tendência de os pacientes possuírem déficits na formação pessoal (baixa escolaridade, inabilidade para resolução de conflitos sociais e emocionais). O equilíbrio obtido com o tratamento é bastante instável, principalmente nos períodos iniciais, razão por que as recaídas são frequentes, sendo, portanto, necessário se manter persistente RIBEIRO; LARANJEIRA; MESSAS, 2006
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O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM), destinado a profissionais da área da saúde mental, lista diferentes categorias de transtornos mentais e critérios para diagnosticá-los, de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association - APA) (APA, 1994).O DSM-IV organiza cada diagnóstico psiquiátrico em cinco níveis (eixos), relacionando diferentes aspectos das desordens ou desabilidades:
- eixo I: transtornos clínicos, incluindo, principalmente, transtornos mentais bem como problemas do desenvolvimento e aprendizado;
- eixo II: transtornos de personalidade ou invasivos bem como retardo mental;
- eixo III: condições médicas agudas ou desordens físicas;
- eixo IV: fatores ambientais ou psicossociais, contribuindo para desordens;
- eixo V: Avaliação Global das Funções (Global Assessment of Functioning) ou Escala de Avaliação Global para Crianças (Children’s Global Assessment Scale) para jovens abaixo de 18 anos (numa escala de 0 a 100).
A EMAD deve identificar, a cada visita, os sinais físicos sugestivos do uso de álcool e drogas no caso de o paciente apresentar recaídas MARQUES; RIBEIRO, 2003a):
Fonte: (UNA-SUS UFPE, 2014).
Abaixo, apresentamos um quadro comparativo sobre o efeito do uso agudo e prolongado de cocaína:
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Você sabe a diferença entre "abstêmios", "bebedores sem problemas" (chamados bebedores sociais), "bebedores com problemas" (abusadores) e "alcoolistas"?Saiba diferenciar as categorias dos usuários do álcool clicando aqui (MOREIRA JR., 2005).
Para profissionais enfermeiros
Principais diagnósticos de enfermagem
Quando são encontrados casos de álcool e outras drogas isolados ou em família, a atuação da equipe multidisciplinar passa a ser importante na intenção de envolver todos da família na recuperação do(s) integrante(s). Alguns diagnósticos relevantes são (NANDA INTERNATIONAL, 2013; DOENGES, MOORHOUSE, MURR, 2009; CARPENITO-MOYET, 2005; JOHNSON, MAAS, MOORHEAD, 2004):
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Controle familiar ineficaz do regime terapêutico
É o padrão em que a família apresenta, ou corre o risco de apresentar, dificuldades para integrar à vida diária um programa e tratamento de doença e de suas sequelas.
Características definidoras:
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Atividade familiar inapropriada para o alcance das metas de um programa terapêutico.
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Risco de tensão do cuidador
É a situação onde o cuidador é vulnerável e encontra dificuldades para desempenhar o papel de cuidador da família.
Características definidoras:
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Gravidade do quadro do paciente, principalmente drogadição ou co-dependência;
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Problemas de saúde do cuidador;
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Isolamento da família ou do cuidador.
