MEDINA-PESTANA, José Osmar et al.; FREITAS, Tainá Veras Sandes; SILVA JUNIOR, Hélio Tedesco. Transplante renal: manual prático: uso diário ambulatorial e hospitalar. São Paulo: Balieiro, 2014. 504 p.
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A ciclosporina é um agente inibidor da calcineurina, uma enzima chave para a ativação dos linfócitos. Introduzida a partir de 1980, levou a inquestionável aumento na sobrevida do enxerto entre 10% e 30% para receptores de rim de doador falecido e de doadores vivos haploidênticos. Seus efeitos adversos se relacionam à exposição à droga, o que justifica seu monitoramento sanguíneo e incluem, principalmente, nefrotoxicidade, hirsutismo, hipertensão, hiperlipidemia, hiperplasia gengival e tremor.
O tacrolimo também age inibindo a calcineurina, ainda que por um mecanismo diferente. É utilizado em substituição à ciclosporina e está disponível desde meados da década de 1990. Também deve ter suas concentrações sanguíneas monitorizadas para eficácia e segurança. Assim como a ciclosporina, pode provocar nefrotoxicidade. Se relaciona menos à hipertensão, dislipidemia e efeitos cosméticos, mas apresenta maior incidência de diabetes pós-transplante.
A azatioprina é um agente que interfere na síntese de DNA a partir dos nucleotídeos e, portanto, na proliferação dos linfócitos. É utilizada na dose de 1,5 a 2,0 mg/kg/dia em única tomada, geralmente em associação a um dos inibidores de calcineurina. Seus principais eventos adversos são relacionados à mielotoxicidade e hepatotoxicidade (MEDINA-PESTANA; FREITAS; SILVA JUNIOR, 2014).
O ácido micofenólico é um agente antiproliferativo, que interfere com a síntese de purinas. É altamente eficaz em combinação com os inibidores da calcineurina e, desde o fim da década de 1990, substituiu em larga escala o uso da azatioprina. Sua dose inicial é de 2 a 3 g ao dia, dividida em duas tomadas, e seus principais efeitos colaterais estão associados ao aparelho digestivo, podendo também produzir mielotoxicidade (MEDINA-PESTANA; FREITAS; SILVA JUNIOR, 2014).
O sirolimo e o everolimo, seu derivado sintético, introduzidos a partir dos anos 2000, são drogas que bloqueiam a proliferação linfocitária ao inibir uma molécula ubíqua e essencial ao crescimento e à proliferação celular, a proteína alvo da rapamicina em mamíferos (mTOR). São utilizados em regime com ou sem os inibidores da calcineurina. Requerem também a monitorização terapêutica. Seus eventos adversos incluem toxicidade podocitária (célula componente do glomérulo renal) e proteinúria, dislipidemia, hiperglicemia, úlceras orais e linfedema.
A metilprednisolona é a substância de escolha no tratamento inicial dos episódios de rejeição aguda, na dose de 0,5 a 1 g por três a cinco dias, com sucesso de tratamento em 80% dos episódios de rejeição aguda (MEDINA-PESTANA; FREITAS; SILVA JUNIOR, 2014).
Referências
MEDINA-PESTANA, José Osmar et al.; FREITAS, Tainá Veras Sandes; SILVA JUNIOR, Hélio Tedesco. Transplante renal: manual prático: uso diário ambulatorial e hospitalar. São Paulo: Balieiro, 2014. 504 p.