O abortamento espontâneo ocorre em 10 a 15% das gestações e envolve sensações de perda, culpa pela impossibilidade de levar a gestação a termo, além de trazer complicações para o sistema reprodutivo.
É a interrupção da gravidez até a 20ª ou 22ª semana e com produto da concepção pesando menos que 500g, enquanto o aborto é o produto da concepção eliminado no abortamento. Acompanhe os principais tipo de aborto:
Espontâneo
Provocado
Acompanhe clicando nos botões abaixo, informações referentes à clínica, exame físico e conduta nos diversos tipos de abortamento:
Ameaça de abortamento
Abortamento completo
Abortamento inevitável/incompleto
Abortamento retido
Abortamento infectado
Abortamento habitual
Espontâneo
O abortamento espontâneo ocorre em 10 a 15% das gestações e envolve sensações de perda, culpa pela impossibilidade de levar a gestação a termo, além de trazer complicações para o sistema reprodutivo.
Provocado
Cerca de 10% dos abortamentos atendidos nos hospitais são provocados, o que evidencia a deficiência de um planejamento reprodutivo incluindo: falta de informação sobre anticoncepção, dificuldades de acesso aos métodos, falha no seu uso, uso irregular ou inadequado, e/ou ausência de acompanhamento pelos serviços de saúde.
Ameaça de abortamento
Clínica: quando existem dores, são pouco intensas
Sangramento genital: pequena a moderada intensidade
Exame físico: colo uterino fechado e útero compatível com a idade gestacional
Ultrassonografia: normal, com feto vivo, pode haver pequena área de descolamento ovular
Conduta Repouso, analgésicos e abstinência sexual.
Atenção: Se surgir febre, dor pélvica localizada ou sangramento com odor fétido a mulher deve retornar ao serviço de saúde para nova avaliação.
Abortamento completo
Clínica: dores que diminuem ou cessam após a expulsão do material ovular
Sangramento genital: diminuem ou cessam após a expulsão do material ovular
Exame físico: Colo uterino pode estar aberto e volume uterino menor que o esperado para idade gestacional
Ultrassonografia: cavidade uterina vazia ou com imagens sugestivas de coágulos
Conduta: Se sangramento persistente prescrever uterotônicos ou fazer aspiração manual intrauterina (Amiu). Se Amiu não disponível, fazer curetagem.
Abortamento inevitável/incompleto
Clínica: dores maiores que na ameaça de abortamento
Sangramento genital: maior que na ameaça de abortamento e diminui com a saída de coágulos ou restos ovulares
Exame físico: colo uterino aberto
Ultrassonografia: confirma o diagnóstico, mas não é imprescindível
Conduta:
Se gestação < 12 semanas: Aspiração manual ou elétrica. Se não possível, realiza-se curetagem uterina.
Se gestação > 12 semans: Misoprostol. Após a expulsão, se o útero for menor ou igual a gestação de 12 semans, faz-se Amiu. Se for maior que 12 semanas, faz-se curetagem.
Abortamento retido
Clínica: regressão dos sinais e sintomas da gestação
Sangramento genital: não há
Exame físico: colo uterino fechado
Ultrassonografia: ausência de vitalidade ou saco gestacional sem embrião
Conduta:
Se gestação < 12 semans: Amiu
Se gestação > 12 semans: misoprostol.
Abortamento infectado
Clínica: elevação da temperatura, dores abdominais
Sangramento genital: odor fétido
Exame físico: eliminação de secreção purulenta através do colo uterino.
Ultrassonografia: não é necessária para o diagnóstico
Conduta:
Estabilização
Metronidazol + Aminoglicosídeo (Gentamicina ou Amicacina)
Se gestação < 12 semanas: Amiu. Se não for possível, fazer curetagem
Se gestação > 12 semanas: Curetagem uterina
Atenção: nos casos mais graves, acompanhados de peritonite e que demoram a dar uma resposta satisfatória, deve-se proceder a laparotomia exploradora e, se necessário, realizar retirada de órgãos pélvicos. A persistência de febre após os cuidados iniciais pode traduzir abscessos pélvicos ou tromboflebite. Nesse caso indica-se a utilização de heparina.
Abortamento habitual
Conceito: Caracteriza-se pela perda espontânea e consecutiva de três ou mais gestações antes da 22ª semana de gestação.
Conduta: encaminhar para tratamento especializado
Exame físico: pode ajudar a detectar anomalias uterinas, a miomatose e a insuficiência istmo-cervical
Ultrassonografia: pode ajudar a detectar anomalias uterinas, a miomatose e a insuficiência istmo-cervical
Conduta: pesquisar causas, fazer consultas quinzenais, tratar causas conhecidas.
Referências
Brasil. ministério da saúde. secretaria de atenção à saúde. departamento de ações Programáticas estratégicas. atenção humanizada ao abortamento: norma técnica / ministério da saúde, secretaria de atenção à saúde, Área técnica de saúde da mulher. – 2. ed. – Brasília : ministério da saúde, 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – 1. ed. rev. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2013. 318 p.: il. – (Cadernos de Atenção Básica, n° 32).
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – 5. ed. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012. 302 p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos).