Leishmaniose visceral no Brasil

A LV é uma zoonose, ou seja, uma doença que tem no seu ciclo de transmissão a participação de um reservatório animal. Esses reservatórios podem ou não apresentar sinais clínicos, os quais muitas vezes passam despercebidos e convivem com os seres humanos nas áreas onde há transmissão da doença (ROQUE; JANSEN, 2014). Clique nas setas para continuar a leitura:

  • O parasito causador da LV no Brasil é a Leishmania infantum (também chamada de Leishmania chagasi ou Leishmania infantum chagasi), que provavelmente veio da Europa (ou da África) nos tempos da colonização portuguesa do Brasil (MAURICIO et al., 1999; 2000).

  • Os reservatórios da LV nas Américas são principalmente mamíferos da família dos canídeos (cães, raposas e lobos), bem como roedores (ratos) e marsupiais (gambás) (ROQUE; JANSEN, 2014).

  • Como principal reservatório doméstico, o cão cumpre um papel importante no ciclo de transmissão da LV em áreas urbanas. Neles, o tempo desde a infecção até o desenvolvimento de sinais clínicos (tempo de incubação da doença) é de três a sete meses em média.

  • Da mesma forma que acontece em humanos, nem todos os cães infectados desenvolvem a LV. Cães infectados podem permanecer clinicamente normais por longos períodos de tempo e mesmo assim serem infectivos para os insetos vetores (MICHALSKY et al., 2007; BRASIL, 2014; ROQUE; JANSEN, 2014).

  • Nas localidades onde há transmissão de LV, os cães com suspeita da doença devem ser levados para fazer exames com o profissional especializado (médico veterinário) nas áreas de ocorrência da doença.

  • Esse profissional deve examinar o animal (avaliação clínica) e solicitar exames complementares para saber se ele está sadio, infectado sem sinais clínicos (assintomáticos) ou infectado com sinais clínicos (sintomáticos) da LV.

Muito se diz sobre o papel das galinhas (e dos galinheiros) para o risco de LV. Sabe-se que as aves em geral atraem o inseto vetor da LV e são sua principal fonte de sangue para alimentação das fêmeas de flebotomíneos (insetos vetores), mas as aves não desenvolvem a doença nem são reservatórios do parasito (QUARESMA et al., 2012; TANURE et al., 2015).