ASMA

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COMO DIAGNOSTICAR E AVALIAR?

Atenção

O diagnóstico clínico de asma é sugerido por um ou mais dos seguintes sintomas: dispneia, tosse crônica, sibilância, opressão ou desconforto torácico, principalmente à noite ou no início da manhã.


A variabilidade dos sintomas, o desencadeamento dos sintomas por irritantes inespecíficos (fumaça, odores fortes e exercício) ou por aeroalérgenos (ácaros e fungos), a piora dos sintomas à noite e a melhora espontânea ou após o uso de medicações específicas para asma são manifestações que sugerem fortemente o diagnóstico clínico de asma.

O diagnóstico de asma é fundamentalmente clínico e pode ser feito sem o auxílio de exames complementares (LENZ et al., 2012). Nos casos de achados clínicos atípicos, de sintomas compatíveis isolados ou quando não há resposta satisfatória após o tratamento, exames adicionais podem ser recomendados: espirometria (antes e após o uso de broncodilatador), testes de broncoprovocação e medidas seriadas de Pico de Fluxo Expiratório (PFE) (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA, 2012).


Saiba mais

Clique aqui para saber como analisar a espirometria e as medidas do PFE (PEREIRA, 2002).


Continuação do caso clínico

Ao exame, Joana apresenta-se ativa, dispneica e com sibilos discretos à expiração.

Clique na área pulmonar para auscultar os sons citados no caso de Joana



O exame físico do asmático geralmente é inespecífico. Importante ressaltar que sibilo indica obstrução do fluxo aéreo, mas pode não estar presente em todos os pacientes. No entanto, sibilância na ausculta pulmonar é o ruído respiratório de achado mais frequente, algumas vezes apenas presente à expiração forçada, manobra que pode ser adicionada ao exame físico. Outros sinais de disfunção respiratória podem estar presentes: taquipneia, uso de musculatura acessória, tiragem intercostal e supraclavicular, batimentos de asa do nariz, diminuição da intensidade do sibilo, tempo expiratório prolongado, cianose e alteração do nível de consciência, sendo que esses últimos indicam crises de asma grave.


Saiba mais

Em crianças menores de cinco anos, devido à dificuldade de se realizarem testes objetivos, os aspectos clínicos serão a base para o diagnóstico. Importante lembrar que 50% das crianças apresentam, pelo menos, um episódio de sibilância nos primeiros anos de vida, mas a maioria delas não desenvolve asma. Para evitar um diagnóstico precipitado de asma em uma criança com um ou dois episódios de sibilância ou se retardar o início de tratamento de uma criança asmática, é fundamental se realizar uma avaliação cuidadosa que inclua sintomas, evolução da doença, antecedentes familiares e exame físico.

Em criança, as manifestações clínicas mais sugestivas de asma são:
  • episódios frequentes de sibilância mais de uma vez por mês;
  • tosse ou sibilos que ocorrem à noite ou cedo pela manhã, provocados por risos, choro intenso ou exercício físico;
  • tosse sem relação evidente com viroses respiratórias;
  • presença de atopia (predisposição para produzir anticorpos da classe IgE contra alérgenos ambientais), principalmente dermatite atópica e rinite alérgica;
  • história familiar de asma e atopia;
  • boa resposta clínica a β-2 agonistas inalatórios, associados ou não a corticoides orais ou inalatórios.


Para profissionais enfermeiros


Principais diagnósticos de enfermagem


O enfermeiro deve estar preparado para avaliar um paciente com asma, interpretando os sinais e sintomas e os comprometimentos potenciais, que levam aos principais diagnósticos de enfermagem (NANDA INTERNATIONAL, 2013; DOENGES, MOORHOUSE, MURR, 2009; CARPENITO-MOYET, 2005; JOHNSON, MAAS, MOORHEAD, 2004):

 

  • Padrão respiratório ineficaz

É o estado em que o indivíduo apresenta perda real ou potencial da ventilação adequada relacionada à alteração no padrão respiratório.

Características definidoras:

    • Relatos de dispneia;

    • Alteração na frequência ou padrão respiratório;

    • Alteração da frequência cardíaca (podendo alterar também o ritmo);

    • Uso de musculaturas acessórias.


  • Troca de gases prejudicada

É o estado em que o indivíduo apresenta diminuição real ou potencial da passagem dos gases (oxigênio e gás carbônico) entre os alvéolos e sistema vascular.

Características definidoras:

    • Dispneia aos esforços;

    • Prefere posições sentadas;

    • Cianose;

    • Irritabilidade (agitação).