PNEUMONIA

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COMO DIAGNOSTICAR E AVALIAR A PNEUMONIA?

Uma boa anamnese e exame físico são essenciais para se estabelecer o diagnóstico da pneumonia, que se baseia na presença de sinais e sintomas sugestivos. Pessoas com pneumonia usualmente apresentam tosse, febre, dispneia e estertores (PEREIRA; ROCHA; SILVA, 2004).

Achados clássicos de consolidação ao exame físico ocorrem em apenas 30% dos casos. Taquipneia (FR > 26 irpm) e taquicardia (FC> 100 bpm) são observadas em torno de 2/3 dos idosos com pneumonia e podem preceder outros achados clínicos por três-quatro dias. Macicez à percussão com diminuição reduzida dos sons respiratórios sugere derrame pleural ou obstrução proximal das vias aéreas (PEREIRA; ROCHA; SILVA, 2004).

Importante lembrar que, em idosos, a presença de sintomas é menos prevalente, e sinais de confusão mental, mudança abrupta da capacidade funcional e descompensação de uma doença previamente estável, como Diabetes, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC), podem ser os únicos dados presentes (PEREIRA; ROCHA; SILVA, 2004).

A pneumonia pode ser definida como (PEREIRA; ROCHA; SILVA, 2004):
  • sintomas de doença aguda do trato respiratório inferior: tosse e um ou mais dos seguintes sintomas (expectoração, dispneia ou dor torácica);
  • achados focais no exame físico do tórax;
  • pelo menos um achado sistêmico (confusão, cefaleia, sudorese, calafrio, mialgias, ou temperatura ≥37,8°C );
  • infiltrado radiológico não presente anteriormente;
  • exclusão de outras condições que resultam em achados clínicos e ou radiológicos semelhantes.

Não existe nenhuma combinação de achados da história e do exame físico que confirmem ou afastem, com segurança absoluta, o diagnóstico de pneumonia. A radiografia de tórax pode ser requerida quando há necessidade de confirmação diagnóstica. No entanto, o início do tratamento não deve ser atrasado nas situações em que a realização do exame não é possível (PEREIRA; ROCHA; SILVA, 2004).

Entre os exames complementares, a radiografia de tórax é útil no diagnóstico, na avaliação da gravidade e detecção das complicações. Porém, pacientes tratados no domicílio, com diagnóstico de PAC de baixo risco, devem realizar radiografia de tórax apenas como exame subsidiário. Outros exames complementares devem ser realizados em casos específicos (PEREIRA; ROCHA; SILVA, 2004).

Testes indicados para pacientes com pneumonias adquiridas na comunidade (PAC)
Fonte: (CORRÊA et al., 2009).

Os dados clínicos são essenciais para se avaliar a gravidade do quadro clínico e guiar a equipe na definição do local onde a pessoa diagnosticada com pneumonia será tratada. Vários critérios de classificação da gravidade das pessoas com pneumonia foram elaborados. O critério britânico CRB-65, por ser mais simples e não requerer nenhum exame laboratorial adicional, deve ser utilizado pela EMAD.



Para profissionais enfermeiros


Principais diagnósticos de enfermagem

Ao se deparar com um quadro de pneumonia, o enfermeiro deve lembrar que existe o risco para função respiratória prejudicada. Devido a isso, apontamos aqui alguns dos diagnósticos de enfermagem que podem estar relacionados (NANDA INTERNATIONAL, 2013; DOENGES, MOORHOUSE, MURR, 2009; CARPENITO-MOYET, 2005; JOHNSON, MAAS, MOORHEAD, 2004):

 

  • Desobstrução ineficaz de vias aéreas

É o estado em que o indivíduo apresenta perda real ou potencial da ventilação adequada relacionada à alteração no padrão respiratório. Novas características definidoras surgem para serem avaliadas, como descrito a seguir.


Características definidoras:

    • Tosse ineficaz relacionada à presença de dor e mialgias;

    • Incapacidade de remover as secreções das vias aéreas relacionada às limitações por fadiga ou falha da função respiratória.

 

  • Troca de gases prejudicada

É um problema colaborativo, onde o paciente apresenta riscos para problemas respiratórios, que exige da enfermagem monitoramento e intervenções para reestabelecer o equilibro da função respiratória do paciente. As características definidoras podem estar relacionadas ao desequilíbrio na relação ventilação-perfusão.


Características definidoras:

    • Oxigenação ineficiente;

    • Inflamação brônquica;

    • Aumento da produção de escarro;

    • Agitação ou confusão;

    • Diminuição da ação ciliar.