CASO CLÍNICO
Dona Severina, 48 anos, tem dois filhos (Ana com 20 anos e Jorge com 18 anos), ambos moram em outra cidade distante, onde trabalham e estudam em uma faculdade. Casada há 20 anos com o mesmo marido (Senhor Mário), estudou até completar o ensino fundamental. Trabalhou durante 19 anos como costureira. Dona Severina tem dependência total para as atividades de vida diária (AVDB) e instrumentais (AVDI), necessitando de ajuda para realizar atividades básicas, como tomar banho e, às vezes, para alimentar-se.
Desde os 45 anos recebe o acompanhamento pela equipe de Saúde da Família. Teve o diagnóstico de insuficiência cardíaca aos 43 anos, quando estava tentando chegar em casa, pois mora em um bairro de periferia onde precisa subir ou descer 125 degraus, sempre que precisa voltar ou sair de casa. Na época, chegou a pesar 100 kg (tem 1,75 m de altura). Inicialmente, atribuiu a dificuldade de subir a escadaria ao peso, mas, mesmo fazendo dieta, não perdia peso.
Durante a madrugada de um domingo, Dona Severina foi socorrida pelos vizinhos, dando entrada na UPA com congestão pulmonar importante, dispneia e queda da saturação do oxigênio. Após cinco dias, já sem congestão pulmonar, estava respirando eupneica, sem necessitar de oxigênio suplementar, mas ainda com edema na parede abdominal. A equipe da UPA solicitou resumo do acompanhamento feito pela equipe de Saúde da Família, que tinha o histórico do acompanhamento do peso a cada consulta, entre 2005 e 2010:

A equipe de Saúde da Família também enfatizou que a paciente tinha precária adesão à terapia medicamentosa e que foram marcadas consultas trimestrais entre 2011 e 2013, mas a paciente não compareceu. Então, a médica solicitou alta da UPA com acompanhamento pela EMAD, pois Dona Severina ainda apresentava taquipneia enquanto falava e comia, necessitando de visitas ao domicílio semanais ou até duas vezes na semana até que a insuficiência cardíaca esteja compensada.
