COMO MANEJAR NA ATENÇÃO DOMICILIAR?
O principal objetivo do tratamento de pacientes com insuficiência cardíaca é melhorar a qualidade de vida e reduzir a mortalidade. As abordagens se resumem em (GHEORGHIADE; FILIPPATOS; FELKER, 2013):
1. remoção da causa básica: quando possível, é a melhor forma de tratar. Consiste na correção cirúrgica de anomalias estruturais responsáveis pela insuficiência cardíaca e tratamento clínico de condições como endocardite infecciosa e hipertensão.
2. remoção de causas precipitantes: identificação e tratamento imediato e, sempre que possível, prevenção das causas específicas ou incidentes que produzam ou agravem a insuficiência cardíaca (infecções, arritmias, embolias pulmonares).
3. controle da insuficiência cardíaca congestiva: essa estratégia também é seguida pela EMAD – que pode ser realizado por meio de três categorias:
- redução do trabalho cardíaco;
- melhoria do desempenho da bomba cardíaca;
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controle da retenção hídrica e de sal em excesso.
Saiba mais..
Pelo fato de as manifestações clínicas da insuficiência cardíaca serem muito variáveis e dependerem de diversos fatores, ainda são usados os Critérios de Framingham para o diagnóstico da Insuficiência Cardíaca Congestiva. Na tabela abaixo, seguem os critérios e como fazer o diagnóstico (MCKEE et al., 1971):Critérios maiores
- Dispneia Paroxística noturna ou ortopneia
- Distensão das veias do pescoço (jugulares)
- Estertores
- Cardiomegalia
- Edema agudo de pulmão
- Ritmo de Galope (B3)
- Aumento da pressão venosa >16 cm de água
- Tempo de circulação > 25s
- Refluxo hepato-jugular
- Edema em tornozelos
- Tosse noturna
- Dispneia aos esforços
- Hepatomegalia
- Derrame Pleural
- Capacidade vital diminuída de 1/3 em relação ao máximo
- Taquicardia (> 120/min)
- Perda de peso > 4,5kg em 5 dias em resposta ao tratamento
O manejo farmacológico é igual ao realizado no consultório, com a vantagem de estarmos na residência do paciente (BOCCHI et al., 2012):
- IECA para disfunção assintomática e sintomática de ventrículo esquerdo BRA na disfunção sistólica em pacientes intolerantes à IECA, exceto por insuficiência renal;
- adicionar BRA em pacientes que persistam sintomáticos a despeito do uso da terapia otimizada (IECA, BB);
- adicionar BRA de forma rotineira, em pacientes em uso da terapia otimizada.
- espironolactona em pacientes sintomáticos com disfunção sistólica do ventrículo esquerdo, classes funcionais III e IV da New York Heart Association (NYHA), associado ao tratamento padrão.
Classe Funcional (NYHA) e Classificação A, B, C, D
(I) Assintomático em atividade habitual
(II) Assintomático - repouso e sintomático em atividade habitual
(III) Assintomático no repouso e sintomático nas menores atividades do dia a dia
(IV) Dispneia, palpitação, fadiga nas menores atividades e no repouso
(A) Risco de ter ICC
(B) Alteração estrutural sem sintomas
(C) Sintomático/alteração estrutural
(D) Sintomático grave/ drogas otimizadas
- espironolactona em pacientes com IC leve (Classe funcional II), associado ao tratamento clínico otimizado para redução de mortalidade e hospitalizações por IC;
- espironolactona em pacientes pós IAM, c/disfunção do VE (FE < 40%);
- espironolactona em pacientes sintomáticos com disfunção sistólica do VE, classes funcionais III e IV da NYHA, com uso de IECA associada com BRA, além do tratamento padrão;
- espironolactona para pacientes com IC crônica, creatinina > 2,5 mg/dl ou potássio sérico > 5,0mEq./l, em uso de IECA ou BRA.
- pacientes sintomáticos com sinais e sintomas de congestão;
- associação de hidroclorotiazida ou clortalidona nos pacientes resistentes à ação dos diuréticos de alça;
- introdução em pacientes assintomáticos com disfunção sistólica (Classe Funcional I) ou hipovolêmicos.
- pacientes com FE < 45%, ritmo sinusal, sintomáticos, terapêutica otimizada com BB e IECA para a melhora dos sintomas;
- pacientes com FE < 45%, FA sintomáticos com terapêutica otimizada com BB e IECA, para controle de FC;
- ritmo sinusal assintomático;
- pacientes com FE ≥ 45% e ritmo sinusal.
- baixo risco para fibrilação atrial (na ausência de fator de risco e risco intermediário), escore de até 1 ponto;
- alto risco para escore maior ou igual a 2 pontos.
O que é CHA2DS2VASC?
Para calcular a estratificação de risco por CHA2DS2VASC, cada fator de risco tem peso de um ponto.
Exemplo: Dona Severina (rever caso clínico) tem alto risco (2 pontos) para fenômenos tromboembólicos, utilizando-se o CHA2DS2VASC: 1 ponto por ser mulher e 1 ponto por ter insuficiência cardíaca.
O que é HAS-BLED?
- cumarínicos para FE < 35% em FA paroxística, persistente ou permanente com, pelo menos, um fator de risco adicional;
- cumarínicos para trombos intracavitários ou embolia prévia;
- ácido acetilsalicílico para cardiomiopatia de etiologia isquêmica com risco de evento coronariano;
- ácido acetilsalicílico na contraindicação ao uso de anticoagulante oral por risco de sangramento;
- inibidor competitivo da trombina ou inibidor do fator X ativado como alternativa ao cumarínico, em pacientes com FE < 40% e FA persistente ou permanente, > 75 anos, ou entre 65 e 74 anos com DM ou HAS ou DAC;
- cumarínicos ou ácido acetilsalicílico para FE < 35% em FA paroxística, persistente ou permanente sem fator de risco adicional;
- cumarínicos nos primeiros seis meses após infarto agudo do miocárdio de parede anterior com disfunção sistólica sem trombo;
- cumarínicos na miocardiopatia chagásica com aneurisma de ponta de ventrículo esquerdo;
- ácido acetilsalicílico para miocardiopatia dilatada não isquêmica.
- BB na insuficiência cardíaca com disfunção sistólica, na prevenção de morte súbita;
- BB na insuficiência cardíaca com disfunção sistólica em portadores de Cardiodesfibrilador Implantável (CDI) na prevenção de morte súbita;
- BB associado à amiodarona na insuficiência cardíaca com disfunção sistólica em portadores de CDI na prevenção de choques;
- Amiodarona para prevenção de choques recorrentes em portadores de CDI;
- Amiodarona na doença de Chagas com arritmia ventricular complexa sintomática;
- Amiodarona para prevenção de taquiarritmias supraventriculares paroxísticas sintomáticas com tratamento clínico otimizado;
- antiarrítmico da classe IB (Mexiletine) como opção ou em associação à amiodarona em portadores de CDI;
- Verapamil e antiarrítmicos da classe IA (Quinidina), IC (Propafenona) e da classe III (Sotalol), exceto Amiodarona;
- Dronedarona para prevenção de morte súbita na IC sistólica.
- Besilato de anlodipino em pacientes com hipertensão arterial persistente apesar de tratamento otimizado com disfunção sistólica;
- bloqueadores dos canais de cálcio com efeitos inotrópicos negativos em pacientes assintomáticos com disfunção sistólica e após infarto do miocárdio.
- pacientes em ritmo sinusal com FC > 70bpm e classe funcional II-IV da NYHA com disfunção sistólica em uso de IECA ou BRA + BB em doses máximas toleradas.
- pacientes com IC crônica, classe funcional II-III da NYHA em uso de tratamento otimizado. Atua com melhora do remodelamento e da função cardíaca e com efeitos benéficos no quadro de caquexia cardíaca.
- os inibidores da fosfodiesterase 5 reduzem a degradação do GMPc, preservando o óxido nítrico na circulação, resultando em vasodilatação, que pode ser benéfica no contexto da hipertensão pulmonar secundária à IC crônica;
- o sildenafil pode reduzir a hipertensão pulmonar em pacientes em avaliação para transplante cardíaco e, também, pode reduzir a pressão arterial após o transplante cardíaco (BOCCHI et al., 2012).
- Pacientes com IC sistólica sintomática, em adição à terapia otimizada, para redução de morbidade e mortalidade.
Saiba mais..
Para saber mais sobre o tratamento farmacológico de pacientes com insuficiência cardíaca, recomendamos a leitura a partir da página 9 da Atualização da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica, disponível aqui (BOCCHI et al., 2012).Para profissionais enfermeiros
Principais intervenções de enfermagem
Frequentemente, casos de insuficiência cardíaca congestiva levam o paciente a desenvolver dependência ao longo da evolução da doença. Por isso, o enfermeiro deve investigar e atuar nas situações a seguir (NANDA INTERNATIONAL, 2013; DOENGES, MOORHOUSE, MURR, 2009; CARPENITO-MOYET, 2005; JOHNSON, MAAS, MOORHEAD, 2004):
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Avaliar cada atividade diária e definir a dependência, seguindo a escala:
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0 = completamente independente;
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1 = exige uso de equipamento auxiliar;
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2 = necessita de ajuda mínima;
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3 = necessita de ajuda ou supervisão;
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4 = necessita de supervisão total;
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5 = necessita de ajuda total
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Com base no grau de dependência, o enfermeiro deve estar apto para:
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determinar a participação ideal do cuidador;
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promover o autocuidado e a autodeterminação;
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definir com o paciente as preferências de horário, produtos, alimentação, higiene;
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não se concentrar na incapacidade, mas nas realizações independentes do paciente.
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