INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

UFC
COMO DIAGNOSTICAR E AVALIAR?

Complemento do caso clínico

Após realizar o Ecocardiograma e um Rx de tórax, o médico da equipe explicou a Dona Severina que o motivo do cansaço era porque tinha insuficiência cardíaca e estava descompensada, por isso também tinha aumentado de peso. Iniciou, então, digoxina em dias alternados.


Diante de um baixo débito cardíaco, temos o aumento da resistência periférica (pós-carga) e no retorno venoso (pré-carga).

Clinicamente, a insuficiência cardíaca pode ser dividida em (SERRANO JÚNIOR et al., 2006):
  • anterógrada – predominam as manifestações de pós-carga aumentada, com sintomas e sinais decorrentes da exacerbação adrenérgica (cansaço, hipotensão arterial sistêmica, queda significativa do débito urinário, palidez cutaneomucosa, pele fria e úmida);
  • retrógrada ou congestiva – há predomínio do aumento da pré-carga. Há aumento na pressão venosa da pequena circulação (congestão pulmonar) e/ou da grande circulação (congestão sistêmica). Pode existir com função sistólica normal. Na presença de disfunção sistólica, temos o tipo mais comum, que é a insuficiência cardíaca com cardiomegalia e fração de ejeção baixa.

No exame físico, o desvio da ponta do coração para a esquerda e para baixo, indicando cardiomegalia associado à terceira bulha, fala a favor da insuficiência cardíaca sistólica. A presença da quarta bulha sugere o diagnóstico de insuficiência cardíaca diastólica (SERRANO JÚNIOR et al., 2006).

As principais características da insuficiência cardíaca esquerda e da direita são descritas a seguir (SERRANO JÚNIOR et al., 2006):

Insuficiência Cardíaca Esquerda

  • Dispneia de esforço, progressivamente mais incapacitante;
  • Ortopneia;
  • Dispneia paroxística noturna;
  • Dispneia em repouso;
  • Ausculta pulmonar com estertores crepitantes, passando à subcrepitante, estendendo-se das bases pulmonares até os ápices;
  • Doenças que podem comprometer o coração esquerdo: hipertensão arterial, insuficiência coronariana crônica e cardiomiopatias dilatadas.
Insuficiência Cardíaca Direita

  • Edema de membros inferiores;
  • Sensação de dor ou peso no hipocôndrio direito e aumento do volume abdominal;
  • Estase de jugular a 45°;
  • Edema de membros inferiores;
  • Hepatomegalia dolorosa;
  • Ascite;
  • A causa mais importante desse tipo de insuficiência é a própria insuficiência esquerda ou doenças primárias do pulmão que favoreçam o aumento da pressão nas artérias pulmonares.


O diagnóstico etiológico é dado pelo ecocardiograma. Ele fornece informações sobre o tamanho das cavidades cardíacas, movimentação das paredes ventriculares (avalia a presença de cardiopatia isquêmica quando há discinesia de repouso ou acinesia) e os aparelhos valvares. Obtém, também, índices de função sistólica, sendo a mais importante a fração de ejeção (SERRANO JÚNIOR et al., 2006).

Exames laboratoriais e de imagem

Radiografia de tórax:
o aumento da área cardíaca, com ou sem congestão pulmonar (há predomínio da vasculatura venosa nos ápices pulmonares), dá indícios de disfunção sistólica. A congestão pulmonar sem cardiomegalia (índice cardiotorácico < 50%) ou aumento discreto do coração, desproporcional quadro da circulação venosa pulmonar, é sugestiva de insuficiência cardíaca diastólica (SERRANO JÚNIOR et al., 2006).


Saiba mais

Uso do Eletrocardiograma (ECG) na insuficiência cardíaca crônica

O eletrocardiograma é um exame complementar, que pode apresentar resultado normal na ICC, porém pode demonstrar doenças subjacentes e/ou complicações decorrentes da doença. Para saber mais, acesse a Atualização da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica 2012, clique aqui (BOCCHI et al., 2012).

Uso do Ecodopplercardiograma na insuficiência cardíaca crônica

O ecodopplercardiograma é utilizado no diagnóstico etiológico da insuficiência cardíaca tanto nos pacientes assintomáticos quanto nos sintomáticos informando quanto à evolução. A reavaliação ecocardiográfica deve ser realizada quando o quadro clínico indica modificação do manejo terapêutico. Porém, não há indicação de se fazer eco rotineiramente, se o paciente não tem alteração do quadro (ICC estável). O ecodopplercardiograma pode ser utilizado como parâmetro único para selecionar candidatos à terapêutica de ressincronização (SERRANO JÚNIOR et al., 2006).

Orientações para o uso do BNP (Peptídeo Natriurético tipo B) e NT-pro BNP (Porção terminal do pro BNP) na Insuficiência Cardíaca Crônica

A dosagem do BNP NT-proBNP deve ser solicitada quando há dúvida no diagnóstico da IC (nos casos de pacientes sem história de infarto do miocárdio ou ECG normal, pode ser realizado antes do ecocardiograma). A dosagem de BNP no líquido pleural pode ser útil para diagnóstico de derrame pleural devido à IC. Na doença de Chagas, BNP e peptídeo natriurético atrial (ANP) têm valor prognóstico e podem estar elevados em pacientes assintomáticos.

Na doença de Chagas, BNP e peptídeo natriurético atrial (ANP) têm valor prognóstico e podem estar elevados em pacientes assintomáticos). Devem ser adotadas medidas seriadas de BNP NT-proBNP como complemento ao exame físico para guiar tratamento em pacientes com IC (BOCCHI et al., 2012).


Para profissionais enfermeiros


Principais diagnósticos de enfermagem

Os pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, de acordo com o grau de evolução da patologia, podem apresentar elevada dependência para realizar atividades do cotidiano, e o enfermeiro deve atentar-se aos diferentes diagnósticos que podem surgir. Vamos apresentar alguns deles, como (NANDA INTERNATIONAL, 2013; DOENGES, MOORHOUSE, MURR, 2009; CARPENITO-MOYET, 2005; JOHNSON, MAAS, MOORHEAD, 2004):

 

  • Síndrome do Déficit no Autocuidado relacionado à fadiga

É o estado em que o indivíduo apresenta prejuízo na função motora, causando diminuição na capacidade de desempenhar as funções do autocuidado.

Características definidoras:

    • Incapacidade de escovar os dentes, banhar-se ou deslocar-se ao banheiro;

    • Incapacidade de cortar os alimentos, abrir pacotes ou levar o alimento à boca;

    • Dificuldade com tarefas domésticas comuns.

 

  • Intolerância à atividade secundária à função cardíaca prejudicada

É a redução na capacidade fisiológica do indivíduo para tolerar atividades no grau desejado, em função do comprometimento da função cardiovascular.

Características definidoras:

Algumas respostas fisiológicas podem estar presentes, como:

    • dispneia;

    • respiração curta e rápida;

    • aumento da frequência cardíaca;

    • fadiga;

    • fraqueza.