PÓS-OPERATÓRIO EM ORTOPEDIA

UFC
COMO MANEJAR NA ATENÇÃO DOMICILIAR?

O acompanhamento destes pacientes deve focar o cuidado nos seguintes pontos:

A analgesia deve ser baseada na avaliação da intensidade da dor, através da Escala Visual Numérica (EVN):


Em casos de dor leve (EVN até 4), anti-inflamatórios não-hormonais:

Administração de anti-inflamatórios não-hormonais em casos de dor leve

dor leve

Fonte: (VEIGA et al., c2007, adaptado).


Em casos de dor intensa (EVN entre 8 – 10):


Administração de anti-inflamatórios não-hormonais em casos de dor intensa

dor intensa
Fonte: (VEIGA et al., c2007, adaptado).

Observações:

  • Pacientes com histórico de sangramento gastrintestinal ou úlcera gastroduodenal ativa não devem receber anti-inflamatórios. Esta classe de medicamentos também deve ser usada com cautela em pacientes com alteração da função renal;
  • A náusea é um efeito colateral muito frequente em pacientes que utilizam Cloridrato de Tramadol, portanto, deve ser administrado Cloridrato de Ondasetrona 4mg – 1 comprimido ou Cloridrato de Metoclopramida 10mg – 1 comprimido 20 minutos antes do Cloridrato de Tramadol. O Cloridrato de Ondasetrona pode ser repetido a cada 12h e o Metoclopramida a cada 8h;
  • Em todo paciente em uso de AINH, deve ser prescrito protetor gástrico (Omeprazol ou Esomeprazol ou Pantoprazol).
O cuidado com o curativo da ferida cirúrgica e na presença de fixadores externos deve seguir sempre a prescrição da equipe multidisciplinar.

Os cuidados serão direcionados à/a (ALMEIDA, 2009):
  • ferida cirúrgica: o curativo da incisão cirúrgica é realizado apenas com solução fisiológica a 0,9% e cobertura seca nas primeiras 48 horas ou enquanto houver secreção. Após esse período, se a incisão cirúrgica estiver seca, ela pode ser deixada aberta, tomando o cuidado de limpar diariamente com água e sabão e secar, aplicando apenas álcool 70%, até a retirada dos pontos;
  • inserção dos fixadores: na região pino-pele, o cuidado é evitar que a pele fique se movimentando excessivamente. Segundo o Ministério da Saúde, os cuidados seguem semelhante ao da incisão cirúrgica, devendo ser lavada a inserção pino-pele com água e sabão, secada com gaze estéril e aplicado álcool 70%;
  • estar atento em relação aos curativos para sinais de sangramento, dor, hematomas, deiscência, alterações na perfusão periférica.
A profilaxia de trombose venosa profunda deve ser feita com: meias elásticas de compressão moderada, dispositivo anti-trombótico, heparina de baixo peso molecular: Enoxaparina 40mg (subcutâneo) 1 vez ao dia por 3 semanas após a alta hospitalar.


Saiba como identificar a trombose venosa profunda (TVP)

A Trombose Venosa Profunda (TVP) tem maior incidência nos membros inferiores e caracteriza-se pela formação aguda de trombos no sistema venoso profundo. O sintoma principal é a dor. O edema pode estar presente.

Podem aparecer sinais como: trajetos venosos superficiais, cianose no membro afetado ou palidez, edema de subcutâneo e edema muscular, dor à palpação de trajetos venosos, dor à dorsiflexão do pé com a perna estendida (sinal de Homans) (MARTINS; DAMASCENO; AWADA, 2007).

Saiba mais

Leia o artigo que trata da profilaxia da trombose venosa profunda em pós-operatório de cirurgias ortopédicas em um hospital de traumato-ortopedia (BARROS-SENA; GENESTRA, 2008). Clique aqui para acessar.

É feita por meio de mudança de decúbito a cada duas ou três horas (caso não haja restrição por outras complicações).

É feita na tentativa de evitar perda funcional do membro afetado.


Para profissionais enfermeiros


Principais intervenções de enfermagem

O fator dependência de cuidados é o principal foco dos cuidados de enfermagem, principalmente em pacientes com dificuldade de deambulação. Para isso, algumas intervenções são importantes (NANDA INTERNATIONAL, 2013; DOENGES, MOORHOUSE, MURR, 2009; CARPENITO-MOYET, 2005; JOHNSON, MAAS, MOORHEAD, 2004):

  • Monitorar e avaliar os fatores complicadores;

  • Manter uma fonte de líquidos para hidratação próxima do paciente;

  • Monitorar o volume de líquidos ingeridos e perdidos (balanço hídrico);

  • Desenvolver um programa de mobilidade no leito, para aliviar pontos de pressão e evitar lesões isquêmicas;

  • Estimular e apoiar exercícios físicos;

  • Manter apoios confortáveis e o alinhamento corporal, evitando sobrecarga de articulações;

  • Estimular o repouso em poltrona, pelo menos uma vez ao dia;

  • Orientar e capacitar os cuidadores sobre as técnicas de transferência da cama para a poltrona, e vice-versa;

  • Monitorar queixas de dor e seguir a prescrição médica analgésica.