COMO MANEJAR NA ATENÇÃO DOMICILIAR?
As definições da forma clínica são mandatórias para o estabelecimento do plano terapêutico do paciente e para o prognóstico. É importante lembrar que uma forma poderá evoluir para a outra.
O manejo dos sintomas da EM inclui reabilitação, tratamento farmacológico e procedimentos. Em geral, faz-se necessária a associação dessas ferramentas para o controle e alívio dos sintomas da Esclerose Múltipla. A abordagem multidisciplinar é essencial para tratar otimamente os pacientes com EM.
A equipe deve estar atenta ao manejo dos sintomas descritos a seguir (SCHAPIRO, 2009):
As medidas não medicamentosas são essenciais para o manejo da fadiga e incluem (CALABRESI, 2004):
- adaptações comportamentais: objetivam a redução do gasto de energia e podem ser realizadas por meio de medidas adaptativas para o desenvolvimento das atividades de vida diária, por meio de órteses e próteses e da instituição de horários de descanso diário;
- resfriamento corporal: pode ser realizado com o uso de ar-condicionado, banhos frios, coletes ou bolsas térmicas;
- exercícios físicos regulares: incluindo exercícios aeróbicos e musculação isométrica, quando adaptados às incapacidades físicas de cada pessoa com EM demonstram melhora da fadiga.
Surtos
Surtos são episódios de novos sintomas neurológicos focais ou agravamento de déficits anteriores, sugestivos de um evento neurológico desmielinizante agudo do SNC. Para a alteração neurológica ser considerada um surto, é preciso que tenha duração maior que 24 horas e preceda um período de estabilidade clínica de, no mínimo, 30 dias, na ausência de febre, aumento da temperatura ambiente ou infecção.
O tratamento com corticoides demonstrou reduzir a duração dos surtos e acelerar a recuperação dos sintomas por meio dos seus efeitos anti-inflamatórios e imunomodulatórios. No entanto, a corticoterapia não demonstrou interferir na progressão das lesões incapacitantes ou na prevenção de novos surtos. O tratamento em altas doses é recomendado, sendo 500mg a 1g por dia de Metilprednisolona, por 3 a 5 dias, seguidos ou não de corticoide via oral, em doses decrescentes, por 21 dias.
Saiba mais
A MetilPrednisolona (MP) pode ser administrada endovenosa (500mg/d por 5 dias) ou 1gr/d por 3 a 5 dias ou via oral 500mg/dia por 5 dias, pois não há diferença significativa entre as formas de administração. Desta forma, deve-se preferir prescrever MP oral para o tratamento do surto da EM pela facilidade da administração, segurança e custo (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NEUROLOGIA; COLÉGIO BRASILEIRO DE RADIOLOGIA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROFISIOLOGIA CLÍNICA, 2012).O tratamento do surto grave deve ser iniciado o mais rápido possível, no entanto há evidência de que o uso de corticoide ainda pode ser útil, mesmo após um ou dois meses do início dos sintomas, nos casos de manifestações clínicas ainda em evolução ou com recuperação incompleta.
É importante lembrar que os pacientes devem ser avaliados quanto à possibilidade de um quadro infeccioso agudo, como sinusite, bronquite e infecção do trato urinário antes do início da terapia medicamentosa. Na necessidade do uso de anti-helmínticos, como Ivermectina 6mg em dose única ou Tiabendazol, recomenda-se o uso antes do início do tratamento com corticoides (FERREIRA, 2010; CALABRESI, 2004).
Atenção
A EMAD deve ficar atenta aos efeitos colaterais da corticoterapia, que devem ser observados durante todo o manejo do surto.Drogas modificadoras da doença
Idealmente, as drogas modificadoras da doença devem ser iniciadas precocemente nos pacientes que preenchem critérios para a terapia com imunomoduladores. As drogas modificadoras de doença incluem os disponíveis Interferon-β recombinante e o Acetato de Glatiramer. É Importante lembrar que os imunomoduladores devem ser somente prescritos por neurologistas clínicos (FERREIRA, 2010; CALABRESI, 2004).
Para profissionais enfermeiros
Principais intervenções de enfermagem
O enfermeiro deve acompanhar a evolução e as respostas das intervenções, alterando o plano de cuidados, se necessário. Segue um conjunto de cuidados que podem ser desenvolvidos (NANDA INTERNATIONAL, 2013; DOENGES, MOORHOUSE, MURR, 2009; CARPENITO-MOYET, 2005; JOHNSON, MAAS, MOORHEAD, 2004):
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Investigar fatores causadores para risco de lesão, classificando o risco do paciente quanto à\ao:
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Visão, equilíbrio, coordenação, deambulação, acuidade auditiva; fadiga;
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Proporcionar um ambiente seguro para a deambulação do paciente:
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Remover tapetes;
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Manter apoios nas paredes do banheiro;
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Piso anti-escorregadio;
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Utilizar iluminação noturna;
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Ensinar sobre medidas preventivas quanto ao uso de água quente, aparelhos elétricos, perfurocortantes;
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Avaliar e instruir o uso de equipamentos auxiliares para deambulação, como muletas, andadores, cadeiras de roda.
