Princípios para o cuidado domiciliar

Unidade 6 - Paracentese abdominal terapêutica

Tópico 2 - Paracentese terapêutica: procedimentos e complicações

(clique nos títulos para visualizar o conteúdo).

▪ Jejum antes procedimento não é necessário;

▪ Esvaziamento da bexiga deve ser feito antes do procedimento (voluntário ou, se necessário, por cateterismo vesical);

▪ Medicamentos de uso habitual podem ser mantidos;

▪ Pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de oxigênio e temperatura devem ser controladas antes e após o procedimento.

Frasco graduado para acondicionar o líquido ascético; solução alcoólica antisséptica (exemplo: clorexidina); luvas estéreis; luvas de procedimento; seringas de 20ml e 5ml; agulha de calibre 25x12 e 25x08; pacotes de gaze estéreis; equipo de soro ou extensor estéril; campo estéril ou bandeja para realização de paracentese (pinça, cuba, campo estéril); cateter venoso periférico flexível 14 ou 16 gauge ou agulha para punção abdominal; cloridrato de lidocaína a 2% sem vasoconstritor; fita hipoalergênica; coletor rígido para material perfuro-cortante.

Em posição supina (decúbito dorsal), com a cabeceira reta ou levemente elevada.

Quadrante inferior esquerdo da parede abdominal. Deve-se medir 3 cm medialmente e 3 cm acima da crista ilíaca ântero-superior esquerda. Após a escolha do local é indicado confirmar se existe macicez à percussão, se o baço não é palpável e se não existem cicatrizes cirúrgicas.

Figura 1 Local de punção para paracentese

Fonte: RUNYON, 2013.

Preparar campo estéril e dispor os materiais a serem utilizados; calçar luvas de procedimentos; realizar a antissepsia da pele com solução antisséptica alcoólica, em movimentos circulares. Em caso de optar pelo uso da clorexidina alcoólica esperar produto secar para realizar o procedimento; calçar luvas estéreis; dispor o campo fenestrado no local definido para punção.

Realizar a assepsia da parte superior do frasco (emborrachada) e aspirar 3 a 5 ml de lidocaína 1 ou 2% em seringa estéril com agulha 25x12 (Fig. 2A). Para isso será necessário auxilio de outro profissional, devendo-se manter a técnica asséptica durante todo procedimento; trocar agulha 25x12 por agulha 25x07(Fig. 2B); administrar a lidocaína ao redor do sitio de inserção até formação de uma pápula, seguindo-se de infiltração mais profunda nas camadas subcutâneas (Fig. 2C).

Figura 2 Técnica da anestesia

Fonte: RUNYON, 2013.

Para utilizar a técnica em Z para administração da lidocaína (Figura 3): tracionar a pele do local da punção para o lado ou para baixo com a mão não dominante (Fig. 3 A, B, C). Para isso pode-se utilizar uma gaze estéril; introduzir a agulha cerca de 5 mm mantendo a pele tracionada; segurar a seringa com o polegar e o dedo indicador da mão dominante; puxar o êmbolo discretamente para trás e observar se existe refluxo de sangue.

Caso isso não ocorra, proceder à aplicação de pequena quantidade de anestésico, avançar mais 5 mm e injetar o anestésico. Esse processo continua até que a agulha penetre no fluido ascitico. A aspiração para detecção de fluido sanguíneo não deve ser continua; aguardar aproximadamente 10 segundos antes de retirar a agulha e só então soltar a pele.

Figura 3 Técnica em Z para administração da lidocaína

Fonte: RUNYON, 2013.

A inserção do conjunto mandril/cateter para drenagem do líquido ascítico também segue a técnica Z. Após a inserção, o fluido é aspirado com seringa de 20 ml, retira-se o mandril do cateter e esse é conectado ao extensor de drenagem ou equipo. Estabilizar o cateter na parede abdominal com uso de fita hipoalergênica (RUNYON, 2013).

Poderá ser realizada em pacientes cirróticos em paracenteses com drenagem maior de cinco litros, podendo reduzir disfunção circulatória, dano renal e mortes.